segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Violência e sociedade

A violência ocorre onde há disputa entre pessoas, e o benefício líquido do conflito é maior do que benefício líquido do acordo. Se há pouco sobre o que disputar, em termos materiais, então ganha-se menos ao entrar em conflito; por outro lado, há menos a se ganhar através da cooperação, pois ela produz pouco.

Parece que a disputa por recursos é, portanto, aflorada pelo sucesso produtivo. As pessoas que ganham pouco através de acordos voluntários ficam relativamente mais tentadas a investir em atos violentos. Por isso a perda em reputação tem, aqui, um efeito menor. Para aqueles que ganham bastante com acordos voluntários, o aumento da capacidade produtiva é benéfico como inibidor da violência, visto que o benefício de um ato violento acaba por ser muito menor que todas as vantagens de acordos voluntários futuros que podem ser contraídos. A perda em reputação inibe outras pessoas de entrarem em acordo voluntário com o criminoso. Mas para quem ganha pouco isso não faz muita diferença.

Claro, há uma violência passional que sempre existe em qualquer sociedade. Mas o grosso da violência ocorre pela disputa por recursos externos.

A punição legal serve para inibir que crimes futuros sejam cometidos. Quanto maior o número de pessoas presas, mais crível que a lei seja realmente aplicável e, portanto, menor o número de crimes cometidos. Diante dessa redução, o percentual de crimes condenados se aproxima do total de crimes cometidos, tanto por mais crimes serem punidos quanto por mais crimes deixarem de ser praticados.

A violência inibe a atividade econômica, pois o valor esperado dos ganhos da produção é diminuído pelo risco de apropriação por parte de criminosos. Uma parte dos recursos que poderiam ser utilizados para produção passam a ser destinados para proteção. É como se o custo de produção de um bem fosse aumentado, para qualquer quantidade. Logo, há uma redução do nível de atividade.

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