quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Pobreza e Imigração

Frequentemente imaginamos que a pobreza é uma razão para migrar. Tentar a boa vida numa região que tenha remuneração mais elevada do que a sua. Mas não é tão simples, afinal é preciso custear o transporte para outras áreas. E são justamente os mais pobres que não possuem recursos para realizar essa locomoção.

Se existem áreas muito pobres próximas, o custo de locomoção se torna irrelevante e apenas a pobreza relativa será relevante. Em relação a pessoas de outras áreas, no entanto, a possibilidade de custear a viagem é fundamental. Pode-se custear de 3 formas: (1) vendendo riqueza herdada*, (2) poupando e (3) pegando emprestado.

Uma pessoa muito pobre provavelmente já terá vendido os bens herdados. A pobreza extrema impossibilita uma poupança considerável, visto que um percentual considerável dos recursos é destinado à subsistência. Além disso, a ausência de um colateral de valor a ser oferecido inviabiliza a obtenção de empréstimos.

Se ocorre, por exemplo, um progresso econômico e o aumento da renda, os fatores considerados acima se tornam menos determinantes. A poupança passa a ser uma opção real, as opções de crédito se expandem e a geração futura herdará riquezas iniciais de maior valor. Uma maior taxa de imigração para regiões distantes não implica, portanto, uma piora da situação econômica. Não implica nem numa piora relativa. O gap entre o rendimento na região pobre e o rendimento da região rica pode diminuir ao mesmo tempo que a taxa de imigração se eleva.

Por outro lado, a taxa de imigração para regiões próximas pode cair, visto que o benefício de migrar diminuiu, e o custo de imigração nesse caso é irrelevante. É possível que menos pessoas migrem, no geral, ao mesmo tempo que aumente a imigração para destinos mais distantes. Mas é possível também que a imigração para destinos mais distantes aumente a uma taxa mais acelerada do que a redução na imigração para regiões próximas O efeito final de um aumento de renda na taxa global de imigração é incerto.

O que é certo é que um aumento de renda, se diminui os custos de migrar, também diminui as vantagens obtidas pela imigração. Um aumento constante da renda diminui cada vez menos os custos de imigração (que são constantes ou decrescentes ao longo do tempo) e cada vez mais o benefício de migrar (ao diminuir o gap de renda). A partir de determinado aumento de renda, portanto, mesmo a imigração para destinos mais distantes começa a cair.

Ao mesmo tempo que a renda do país (ou região) incentiva a migração para lugares distantes mais ricos, esse aumento de renda atrai pessoas de lugares pobres próximos. A partir de um aumento considerável de renda, o país se torna quase que exclusivamente pólo atrativo de migração, sem uma taxa de imigração relevante, exceto em casos de deslocamento territorial que envolve cargos anteriormente já exercidos, ou ofertas de empresas situadas no estrangeiro.

*para bens de consumo durável, é possível vender aquilo que a própria pessoa comprou. Por questões de comodidade, podemos entender a compra de um bem de consumo durável como uma poupança: afinal, estamos comprando hoje um consumo que só será efetivado no futuro (de forma mais precisa, ao longo da passagem do tempo). Da mesma forma que a poupança, podemos sacar o dinheiro poupado para outros usos.

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