O preço do petróleo rotineiramente sobe, e sempre surgem as denúncias de que o petróleo se aproxima do seu fim. Ouvimos, no entanto, tal história desde 1970. E mesmo assim continuamos a utilizar a mercadoria, sem que haja qualquer sinal de que ela acabará tão cedo.
Por que temos a impressão de que o petróleo acabará? Isso se deve ao fato de pensarmos que o petróleo existe numa quantidade finita. O seu uso contínuo acarretaria, em algum momento, a sua extinção. O crescente crescimento da economia leva a uma demanda crescente por mais energia. Parece que observamos, portanto, dois movimentos que levariam a um esgotamento do produto: uma oferta cada vez mais limitada no produto, frente a uma demanda crescente pelo mesmo.
O que isso implica? Num aumento de preços. Há um limite físico para a quantidade retirada de petróleo num determinado período do tempo, e a elevação serve como forma de alocar os recursos finitos para seus usos mais urgentes e valorosos [no caso específico do petróleo, o cartel s escolhe a quantidade de produção que maximiza o lucro, que é menor do que a capacidade de produção]. Um aumento dos preços, no entanto, possui um efeito secundário: torna o retorno esperado do investimento em petróleo mais elevado e, portanto, leva a um aumento do investimento em buscar novas reservas ou desenvolver tecnologias para explorar reservas já conhecidas.
É verdade que as reservas novas são mais custosas em termos de exploração. Podemos delinear, portanto, um futuro com preços de petróleo mais elevados. Por outro lado, a pressão pela elevação de preços não é tão severa, visto que algumas reservas só são exploráveis a preços elevados. Uma pressão de aumento de preços, portanto, é contrabalançada pelo aumento da oferta a partir de um certo nível de preços.
Essa dinâmica pode ser observada pela queda da participação dos países da OPEP na produção mundial de petróleo, que tenta ser contrabalançada pela inclusão de mais países na organização. Um cartel com mais participantes, no entanto, se torna mais instável.
Parece-me factível imaginar que o preço futuro do petróleo possua uma tendência de crescimento, com oscilações em torno dessa tendência (resumida pela dinâmica; aumento inesperado da demanda provoca uma elevação dos preços; exploração de novas jazidas provoca uma queda). Essa tendência, no entanto, não é determinista, pois preço futuro do petróleo elevado incentiva o investimento em alternativas. Essas alternativas são mais econômicas a partir de certo preço. O desenvolvimento dessas alternativas leva a uma desaceleração da tendência de crescimento, pois parte da demanda nova é satisfeita com uma fonte alternativa de energia.
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