quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

tamanho da empresa, monopólio, preços e ineficiência

Aquilo que o público julga em geral como sendo associado à ineficiência econômica é um resultado comum, porém contingente. Certas características externas parecem implicar a presença de ineficiência, mas nem sempre é esse o caso.

Consideremos, por exemplo, o tamanho da empresa. Peguemos um mercado qualquer, se há um maior número de empresas, a concorrência será mais intensa e o preço de mercado será menor. Com menos empresas, menor concorrência e o preço de mercado será maior. Esse resultado, no entanto, só se produz se os retornos de escala forem constantes, a saber, se não fizer diferença produzir de forma dispersa ou concentrada. Na presença de retornos crescentes de escala, torna-se menos custoso produzir de forma centralizada o que seria produzido, por exemplo, por duas firmas separadas. Mesmo que haja ineficiência associada a uma quantidade produzida menor do que a capacidade de produção, não é claro se a quantidade produzida seria menor do que se a produção ocorresse em unidades produtivas muito menores, nem é claro também que o preço fosse menor. Para uma ilustração do caso, consideremos a fazenda da agricultura moderna. Se o tamanho da fazenda atual fosse dividido em 10, muito provavelmente a capacidade de produção somada de cada fazenda em particular seria menor do que a da fazenda atual, e mesmo que houvesse mais concorrência e menor poder de precificação, os custos elevados poderiam levar a um preço maior, e não menor, do que no caso atual.

Da mesma forma, o monopólio está associada com a ineficiência. Mas a sua ineficiência não decorre de preços elevados, mas sim de capacidade produtiva não aproveitada. Um preço mais elevado do que o preço de concorrência perfeita leva a uma diminuição da quantidade demandada que é mais do que compensada pelo ganho obtido em receita por cobrar mais na venda de cada unidade. Se o monopolista discrimina, por exemplo, estabelecendo um preço distinto para um outro grupo, de forma a aumentar a quantidade vendida, está aproveitando mais a sua capacidade de produção. No entanto, a discriminação de preços é julgada por muitos como algo errado, mesmo que diminua a ineficiência.

Outro julgamento errado é culpar a 'ganância' pela ocorrência de um aumento de preços. Ora, o produtor estipula o preço que maximiza o seu lucro, e sempre enfrenta o dilema de ganhar/perder unidades vendidas e ganhar/perder na margem das unidades finais que efetivamente venderá. Nem todo aumento de preços aumenta o lucro, mas é correto dizer que uma empresa só aumentará o preço se vislumbrar que, dessa forma, aumentará seu lucro. Curiosamente, ninguém aponta uma queda de preços como resultado da 'ganância'. Mas ambas as flutuações de preços indicam a busca da empresa em maximizar seu lucro(ou, em alguns casos, minimizar o prejuízo). A empresa muda o preço diante de mudanças nas circunstâncias, tanto internas (organização da produção) quanto externas, seja por parte dos fornecedores, seja por parte dos consumidores.

Resumindo, o público pode estar correto em suas impressões iniciais, mas ignora os fatores que fazem a análise ser correta e, portanto, não consegue discernir e apontar quando o seu julgamento deixa de ser válido.

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