O carro é uma grande fonte de externalidades através de dois canais: a emissão de gases poluentes e a ocupação de um espaço físico que provoca engarrafamento. No primeiro caso, cada carro individual é responsável por uma parte da poluição(embora possamos considerar que o efeito combinado é mais severo do que o efeito particular de cada poluição). No segundo, cada carro contribui para a formação da externalidade, mas não pode ser responsável, sozinho, pela mesma (um carro sozinho não pode provocar um engarrafamento, excetuando caso de acidentes).
O imposto sobre o carro, o IPVA, deveria ser estipulado de forma tal a considerar a externalidade provocada pelo seu uso. A saber, o nível de poluição por km rodado e o espaço ocupado pelo carro.
O nível de poluição por km rodado é uma medida simples de entender e facilmente aplicável: quanto maior o nível de poluição, maior o valor do IPVA. Já o espaço ocupado pelo carro não é uma medida tão simples: quando falamos do espaço do carro, estamos querendo nos referir a outra medida, a saber, quantas pessoas cabem naquele carro. Isso importa porque um carro com mais assentos torna possível o transporte de pessoas que, de outra forma, teriam que utilizar outro veículo, ocupando, portanto, mais espaço, e gerando mais engarrafamento. A medida que queremos, de fato, é o volume do carro/número de assentos, ou seja, o espaço necessário para transportar uma pessoa. Quanto maior esse espaço, maior deve ser o valor do IPVA.
O IPVA deve ser definido pelo seguinte índice: poluição por km rodado x (volume do carro/número de assentos). Consideremos, por exemplo, um carro compacto que polua pouco e ocupe pouco espaço. A idéia é que a van, mesmo poluindo mais, pode acabar tendo uma emissão por pessoa menor que a do carro compacto, visto que, para transportar mais gente, seriam precisos talvez 3 carros compactos. Ora, com 3 carros compactos teremos o triplo de poluição, e talvez a van não seja 3 vezes mais poluente. Por isso é importante não considerar apenas o nível de poluição do carro.
Essa alteração no IPVA teria os seguintes efeitos: com um IPVA relativamente mais barato de carros menos poluentes segundo o índice estabelecido, haveria uma mudança de demanda entre os carros novos, favorecendo um tipo de carro em detrimento do outro, o que acabaria por fazer com que a nova frota provocasse menos externalidades do que antes. Isso serviria como um incentivo adicional para que as empresas se focassem no desenvolvimento de carros que satisfizessem a nova demanda do consumidor. Uma forma de aumentar os lucros seria criar carros menores e com mais assentos, na medida do possível, além de privilegiar aqueles que fossem menos poluentes, pois estes teriam uma maior demanda do que os mais poluentes. Não precisamos eliminar a busca pelo lucro, apenas usá-la de forma sábia como no caso ilustrado. Além disso, em geral os carros novos são menos poluentes do que carros antigos, portanto o IPVA relativamente mais barato dos carros novos iria acelerar a substituição dos carros antigos pela nova frota, evitando, dessa forma, o nível de poluição que seria provocado se a frota antiga continuasse a rodar por mais alguns anos. É verdade que a substituição não seria total, continuaria sendo gradual. Seria, no entanto, mais acelerada, e isso já reduziria o total de poluição provocado.
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