quinta-feira, 9 de junho de 2011

Conselho de Segurança: sem espaço para potências nucleares

Discute-se há muito uma ampliação do Conselho de Segurança da ONU. A sua ampliação implica, por um lado, perda absoluta de influência por parte de cada membro, mas, por outro, aumenta o leque de interações estratégicas possíveis entre os países.

À primeira vista, a ampliação parece atender aos interesses de Rússia e China, minoritários diante do bloco ocidental. Mas a França é sempre um voto errático, praticando um vôo solo, como por exemplo no caso iraquiano. Um número maior de membros pode, portanto, incluir agentes cuja aliança seja mais viável e segurança do que com a França.

Os interesses dos blocos são bem claros: a aliança anglo-americana e o anti-bloco formado por China e Rússia. Não é claro que os outros países do mundo se sintam necessariamente alinhados ao anti-bloco.

A pior decisão possível para ampliação do Conselho de Segurança seria incluir atuais potências nucleares (re)conhecidas. Embora, realisticamente, o atual CS inclua potências nucleares de modo a ter representado os principais atores militares, fazer disso uma regra de admissão inspira uma corrida nuclear perigosa. Talvez isso explique o esforço dos países em combater o desenvolvimento de programas nucleares por parte de outros estados rivais. Afinal, se existirem muitas potências nucleares de fora do Conselho, as suas decisões serão frágeis e facilmente desafiadas por quem está de fora (pode-se desobedecer o Conselho, mas ele é importante, de qualquer forma, ao revelar explicitamente a clivagem de alianças).

Novos membros do Conselho de Segurança deveriam incluir, justamente, países sem programa nuclear. O que tal ampliação indicaria? Que, deixando de perseguir ambições nucleares, o país é 'premiado' com mais voz na decisão final do Conselho de Segurança. Se, por outro lado, desenvolver o programa, o país se torna marginal e sua rede de proteção mais abalada. Obviamente que isso só é verdade se for realmente crível que o CS mantenha potências nucleares novas isoladas. Se admitir pelo menos uma potência nuclear nas vagas novas a serem criadas, qualquer ameaça de isolamento perde credibilidade.

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