quinta-feira, 24 de setembro de 2009

pequeno deus

Mesmo feliz, ainda é triste. E sente uma dor que não arde, mas rasga. Rasga a pele e sangra o peito. Acolhe toda a dor do mundo dentro de si. Mas como redimir os pecados alheios quem nunca cometeu os seus? Um santo imaculado é uma pessoa vazia, só vive em seus ditados, só cria em esperança. Nada fez para construir uma morada que fosse digna. E quando olha ao seu redor, esses arranha-céus feitos de pavor e pecado, sente inveja. Poderia construir um parecido? Seria capaz de manter seu próprio inferno? Indaga-se sempre sob a luz do luar. Os dias já não lhe são mais suportáveis. A intensidade do sol queima as suas vísceras. Só as sombras regeneram as marcas das cicatrizes. Que nunca ganhou da própria vida, mas que impõe a si mesmo num eterno martírio.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Filmes que verei no festival do Rio

Sexta - 25/09/2009
Espaço de Cinema 1
16:30:00 hs
Aconteceu em Woodstock

Sábado - 26/09/2009
Estação Ipanema 1
15:15:00 hs
Um namorado para minha esposa

Domingo - 27/09/2009
Espaço de Cinema 1
17:00:00 hs
Distrito 9

Segunda - 28/09/2009
Est Vivo Gávea 2
15:20:00 hs
Brilho de uma paixão

Quinta - 01/10/2009
Espaço de Cinema 2
21:15:00 hs
Politist, Adjectiv

Sexta - 02/10/2009
Espaço de Cinema 1
23:45:00 hs
Black Dynamite

Sábado - 03/10/2009
Espaço de Cinema 2
12:15:00 hs
O mercado

Sábado - 03/10/2009
Espaço de Cinema 1
17:00:00 hs
Dia da transa

Domingo - 04/10/2009
Espaço de Cinema 1
17:00:00 hs
Tokio Tokio Tokio

Segunda - 05/10/2009
Leblon 1
16:30:00 hs
Conto dos 3 reinos

Terça - 06/10/2009
Espaço de Cinema 3
16:00:00 hs
Para quem você ligaria

Quarta - 07/10/2009
Odeon Petrobras
21:45:00 hs
Bastardos inglórios

domingo, 20 de setembro de 2009

sentimentos

Por que meu coração é tão gelado? Por que tudo que vive nele acaba congelando para depois derreter e sumir abruptamente? Por que não consigo cultivar um sentimento? É como se tudo que eu tocasse quebrasse logo em seguida, e eu tivesse que me afastar para que as coisas florescessem e ganhassem vida. Será que tenho o direito egoísta de me satisfazer ao restringir um pouco da existência que é posse de cada um? E mesmo se eu pudesse, será que deveria? A inconveniência de ser conveniente, limitando cada passo dado e controlando as escolhas que deixam de ser feitas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Poema número II

mesmo que você insista
em me ter como segredo
só me solto é na pista
no resto eu tenho medo

e quando você desiste
de me ter em seus braços
me deixa supertriste
meu coração em pedaços

não há mais tempo pelo visto
nosso amor saiu de cena
não sei porque eu insisto
será que vale a pena?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Poema número I

parece que cansei
das coisas que sabia
cansei das cores tristes
da luz do fim do dia

acho que não sei
mais aquilo que queria
o futuro não mais existe
dentro de mim não cabia

tanta dor e toda a mágoa
dessas brisas desse vento
queria me perder na água
arriscar...será que tento?

Detalhes

Dormi e acordei. Não muito bem, nem muito mal, apenas normal. Sentindo um vazio ao meu redor, que só não é maior do que o vazio que sinto por dentro. Semelhantes sensações já tivera outrora. Mas a dor nunca é a mesma da segunda vez. Principalmente quando é uma dor que tem história. Eu só não queria ser incomodado, não queria que as pessoas percebessem, começassem a fazer perguntas, estranhassem as minhas escolhas e o meu comportamento. Custa muito pedir para sofrer em paz? Mas como sofrer sozinho num mundo cheio de compromissos, prazos e metas? As metas não se perguntem se você está bem, se precisa de ajuda; As pessoas? Até perguntam, mas não lhe entenderiam mesmo que você explicasse. Porque é uma dor que, embora compartilhada por muitos, é diferente, fruto de uma série de situações que, se encontradas separadamente, não chamariam atenção mesmo de quem é cuidadoso com detalhes; mas que, quando juntas, formam um quadro que se apresenta de forma estranha e bizarra.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Instantes

Às vezes o momento se afasta tanto de seus vizinhos presentes e futuros que os vales chegam a ser intransponíveis. E como um instante pode ganhar significado deslocado da história que o formou e descolado dos seus possíveis desdobramentos? Decisões inadiáveis, rotas incomensuráveis, realidades alternativas e radiativas, contaminando as perspectivas de uma base sólida o suficiente para se construir alguma coisa. Qualquer coisa. Nem que seja uma catapulta para acelerar tudo que ainda é preciso esperar passar; e se o tempo fosse apenas um estado psicológico? Altera o ritmo cardíaco e a vida caminha em outra velocidade; ah, esse deslocamento entre a passagem do mundo e o galope da alma, percebendo-se sempre muito na frente ou já ultrapassado. Cruzamento sem sinal, incerteza no momento de atravessar. Já não há uma espera que suportável; apenas o grito calado, seco e abafado de quem já perdeu a voz, não pelo seu uso, mas justamente pela falta. Vivendo nas sombras, afastado em desertos sem nenhuma pessoa num horizonte próximo. Apenas aquela miragem que sempre atordoa e alimwnta a imaginação. Será um destino que poderia redimir tudo vivido até então? Ou um anestésico para deixar a mente calma enquanto tudo desmorona ao seu redor?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Resenha de 'The Piper at the Gates of Dawn'

1967 foi um ano seminal na história da música popular, espécie de ponto de inflexão para o qual não havia mais volta. A experimentação e a sofisticação haviam chegado de vez, tomando as paradas de sucesso de assalto. E isso gerou também uma mudança quanto ao modo de consumir música. Se antes era esperado que a próxima música de um artista soasse como a anterior, ou que os sucessos de antes remetessem ao sucesso passado, agora o público havia se habituado com a sensação de descontinuidade e a busca pela inovação pretendida por vários dos grandes astros da música pop. Que isso tenha começado pelo rock é mero detalhe: 5 anos mais tarde, a revolução já tinha pego a música negra americana de jeito e subvertido a fórmula de sucesso da Motown(embora já em 1967 possamos sentir esta mudança, por exemplo, com o desenvolvimento embrionário do soul psicodélico por parte de Norman Whitfield).

E, na penca de lançamentos posteriormente reconhecidos e celebrados como clássicos, encontramos o primeiro álbum do Pink Floyd, ainda comandado por Syd Barret. Se é o melhor álbum de 1967 é uma discussão tola(como quase todo rankeamento musical). Mas eu arriscaria dizer que é o disco com o maior número de idéias por segundo. Há aqui a vanguarda humorística de um Frank Zappa, como em ‘Pow R. Toc H.’ embora, diferente deste último, tudo soe muito natural e sem forçar a barra. E experimentações que antecedem as loucuras de um King Crimson, como na viajante ‘Interstellar Overdrive’. E, claro, há um clima alegremente hippie que nos remonta a um sentimento mais próximo da psicodelia, especialmente a partir da faixa 8. Mas não é um pop psicodélico como The Zombies, por exemplo. Ao contrário, é tudo muito fragmentado e, mesmo que no fim faça sentido, demora um tempo para juntar os cacos, e as pontes que juntam o pote quebrado enriquecem a música de uma forma surpreendente. É um disco sem concessões, ambicioso, que soa COMO se tivesse feito ontem, e para um disco lançamento há mais de 40 anos, isso é um elogio mais do que suficiente. É preciso celebrar também a ótima remasterização que o álbum sofreu quando do seu lançamento em cd. Um trabalho impecável à altura deste clássico inesquecível.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

ROCK'N'ROLL, ROCK ou MÚSICA? - parte 1

'O que você gosta de ouvir?' Todo mundo já se deparou, alguma vez, com tal pergunta. Afinal o outro, enquanto pessoa que não se reduz a suas atividades, muito embora ela se traduza através das mesmas, é muitas vezes inatingível e um mistério para aquele que deseja conhecer alguém que não a si mesmo. E, embora no processo de auto-descoberta tendamos a nos afastar daquilo que fazemos, quando estamos por descobrir o outro, fazemos justamente o inverso e tentamos reduzí-lo naquilo que nos é mais conhecido. E uma das experiências mais universais do ser humano é certamente a música. Mas não a música que é apreciação solitária. A mesma está quase sempre cercada, de alguma forma, da presença dos outros. De fato, se imaginarmos que, na ausência de tecnologia de reprodução, a única forma de ouvir a música era (1)executando a mesma para si mesmo ou (2)sendo apresentado à mesma por outro músico. E, embora ainda haja espaço para uma experiência bastante intimista entre executor e receptor, na maioria das ocasiões a platéria excede, em número, aquele que se apresenta. Enfim, o ponto é que, mesmo se considerarmos que a apreciação da música se dá de maneira individual(no sentindo em que não há interação entre os membros de uma platéia durante a execução musical), não é possível negar que há, de alguma forma, uma apreciação que se dá de forma coletiva. Ou seja, a apreciação musical está embebida do compartilhamento de experiências. Há pessoas que se reunem, que se reconhecem em suas escolhas estéticas, que podem de alguma forma se aproximar uma das outras, das mais variadas formas possíveis. Bem se vê, portanto, que a idéia de consumo em massa, embora não necessariamente nos moldes atuais(tanto pela composição da chamada massa quanto pela forma como o consumo era encarado), é um fenômeno antigo. Logo, há na pergunta moderna apenas uma tentativa de resgate da mesma experiência vivida no passado.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Vida

Me falaram que viver era queimar etapas, atingir metas. Só não me disseram o que fazer quando ficasse para trás, esquecido lá no fundo e, quando lembrado, cobrado, questionado e até mesmo criticado por não seguir o caminho que era esperado. Me indicaram que viver era ser feliz. Só não me avisaram que precisaria suportar tantos momentos tristes, dias inteiros que não deveriam ver a luz do sol. Me contaram que na vida a gente acaba encontrando alguém. Só não comentaram que é preciso que o outro lhe encontre, e com tanta escuridão nesses dias tão nublados, quem pode ver sequer um palmo à sua frente?

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Uma pessoa

Uma pessoa que permanece apenas como idéia, que nunca se concretiza. O que evita, em parte, que a sua existência seja um fardo. Mas que, por outro lado, acaba fazendo com que a minha seja mais pesada. Por vezes fala comigo, por outras apenas imagino nossas conversas. É uma idéia que constantemente me leva às lágrimas, o que parece ruim, se não fosse uma espécie de alívio. Por imaginar que possa existir alguém assim, e por saber que, por alguns instantes, é real. Mesmo que seja apenas imaginário, e talvez por isso, dure mais que o mundo, e ultrapasse a própria vida. Será que valeria trocar tudo isso por um pedaço de realidade? E se tudo terminar em ruínas? Já me encontro sob escombros, será que resistiria a mais um acidente de percurso?

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Segundos

A rigidez do tempo só se faz sentir pelos momentos irrecuperáveis. De resto tudo é tão fragmentado que parece não ter continuidade. Segundos desconectados que nunca formam um minuto inteiro. Dias que se acumulam apenas para preencher o calendário. Um dia que passa sem saber que é dia, calmo pela ausência de consciência, sem frustrações pela sua finitude, sem ser esmagado pela sua pequenez. O tempo não se vê passar, apenas se esgota. E os homens se esgotam pela falta de tempo, e se desesperam pelo minuto que não se completa. Se viram para o segundo, mas já é tarde demais. Outro tempo para fazer passar o que não se deu? Mas até lá, será que ainda haverá tempo?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Calçada

Quem é a pessoa que passa ao meu lado na calçada? Quais são seus anseios, desejos, aspirações? Que frustrações acumula até então? Como se sustenta? Que tipo de música escuta? Com que freqüência vai ao cinema? Gosta de ler poesia? Sabe falar outras línguas? Segue alguma religião tradicional? Se tivesse interesse, eu poderia seguir os seus passos e descobrir ao menos uma parte das respostas para essas perguntas. Mas, ao contrário de seguí-los, deixo que os passos se afastem e que a pessoa se perca logo a frente. Pronta para seguir uma vida que continuo a ignorar da mesma forma que ela ignora a minha. .

Receita

Como duas vontades distintas e independentes podem se combinar para que, pelo menos por um instante, sejam apenas uma? Há o modelo da submissão, que é uma vontade subjulgar a outra; e a solução do comércio, que é um acordo entre as partes, que no entanto permanecem independentes. Mas há certas relações que exigem uma cumplicidade que lembra a submissão, embora os indivíduos se entreguem por opção, o que nos remete ao comércio. É um compromisso que se desfaz quando há reclamação de independência, mas que não se cumpre quando não há respeito pelo outro. É um delicado equilíbrio que, quando conseguido, nos deixa numa zona nebulosa em que, se nos refugiamos em alguma espécie de contrato, é como se quebrássemos a confiança e ficássemos sós; e se abusamos da confiança, perdemos o outro pra sempre.

Quem tem medo dos Buzzcocks?

Impossível negar a influência punk no som ds Buzzcocks. Mas a banda era mais do que isso. As melodias simples, rápidas e diretas traziam consigo uma sensibilidade pop que não era encontrada em outras bandas semelhantes. E o vocalista da banda não berrava! Além disso, suas letras não exalavam raiva, ódio ou violência. Ao contrário, tratavam de frustrações tipicamente juvenis quanto a relacionamentos, ou melhor, à incapacidade de conseguir um e todo o desconforto que vem acompanhado desta incapacidade. Em certo sentido, os Buzzcocks antecipam The Smiths por pelo menos 5 anos. Deixo como exemplo a letra de 'Nostalgia':

I bet that you love me like I love you
But I should know that gambling just don't pay
So I look up to the sky
And I wonder what it'll be like in days gone by

As I sit and bathe in the wave
of nostalgia for an age yet to come
I always used to dream of the past
But like they say yesterday never comes

Sometimes there's a song in my brain
And I feel that my heart knows the refrain
I guess it's just the music that brings
on nostalgia for an age yet to come

Ah nostalgia for an age yet to come
Nostalgia for an age yet to come

About the future I only can reminisce
For what I've had is what I'll never get
And although this may sound strange
My future and my past are presently disarranged

And I'm surfing on a wave of nostalgia
for an age yet to come
I look I only see what I don't know
All that was strong invincible is slain

Takes more than sunshine
to make everything fine
And I feel like I'm trapped
in the middle of time

With this constant feeling of
nostalgia for an age yet to come

Ah nostalgia for an age yet to come

About the future I only can reminisce
For what I've had is what I'll never get
And although this may sound strange
My future and my past are presently disarranged

And I'm surfing on a wave of
nostalgia for an age yet to come
I look I only see what I don't know
All that was strong invincible is slain

Takes more than sunshine to
make everything fine
And I feel like I'm caught
in the middle of time

And this constant feeling
of nostalgia for an age yet to come

Ah nostalgia for an age yet to come

Nostalgia for an age yet to come
Nostalgia for an age yet to come

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Deixa eu brincar de ser feliz

Deixa eu brincar com o meu nariz.