Como duas vontades distintas e independentes podem se combinar para que, pelo menos por um instante, sejam apenas uma? Há o modelo da submissão, que é uma vontade subjulgar a outra; e a solução do comércio, que é um acordo entre as partes, que no entanto permanecem independentes. Mas há certas relações que exigem uma cumplicidade que lembra a submissão, embora os indivíduos se entreguem por opção, o que nos remete ao comércio. É um compromisso que se desfaz quando há reclamação de independência, mas que não se cumpre quando não há respeito pelo outro. É um delicado equilíbrio que, quando conseguido, nos deixa numa zona nebulosa em que, se nos refugiamos em alguma espécie de contrato, é como se quebrássemos a confiança e ficássemos sós; e se abusamos da confiança, perdemos o outro pra sempre.
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