1967 foi um ano seminal na história da música popular, espécie de ponto de inflexão para o qual não havia mais volta. A experimentação e a sofisticação haviam chegado de vez, tomando as paradas de sucesso de assalto. E isso gerou também uma mudança quanto ao modo de consumir música. Se antes era esperado que a próxima música de um artista soasse como a anterior, ou que os sucessos de antes remetessem ao sucesso passado, agora o público havia se habituado com a sensação de descontinuidade e a busca pela inovação pretendida por vários dos grandes astros da música pop. Que isso tenha começado pelo rock é mero detalhe: 5 anos mais tarde, a revolução já tinha pego a música negra americana de jeito e subvertido a fórmula de sucesso da Motown(embora já em 1967 possamos sentir esta mudança, por exemplo, com o desenvolvimento embrionário do soul psicodélico por parte de Norman Whitfield).
E, na penca de lançamentos posteriormente reconhecidos e celebrados como clássicos, encontramos o primeiro álbum do Pink Floyd, ainda comandado por Syd Barret. Se é o melhor álbum de 1967 é uma discussão tola(como quase todo rankeamento musical). Mas eu arriscaria dizer que é o disco com o maior número de idéias por segundo. Há aqui a vanguarda humorística de um Frank Zappa, como em ‘Pow R. Toc H.’ embora, diferente deste último, tudo soe muito natural e sem forçar a barra. E experimentações que antecedem as loucuras de um King Crimson, como na viajante ‘Interstellar Overdrive’. E, claro, há um clima alegremente hippie que nos remonta a um sentimento mais próximo da psicodelia, especialmente a partir da faixa 8. Mas não é um pop psicodélico como The Zombies, por exemplo. Ao contrário, é tudo muito fragmentado e, mesmo que no fim faça sentido, demora um tempo para juntar os cacos, e as pontes que juntam o pote quebrado enriquecem a música de uma forma surpreendente. É um disco sem concessões, ambicioso, que soa COMO se tivesse feito ontem, e para um disco lançamento há mais de 40 anos, isso é um elogio mais do que suficiente. É preciso celebrar também a ótima remasterização que o álbum sofreu quando do seu lançamento em cd. Um trabalho impecável à altura deste clássico inesquecível.
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