Mesmo feliz, ainda é triste. E sente uma dor que não arde, mas rasga. Rasga a pele e sangra o peito. Acolhe toda a dor do mundo dentro de si. Mas como redimir os pecados alheios quem nunca cometeu os seus? Um santo imaculado é uma pessoa vazia, só vive em seus ditados, só cria em esperança. Nada fez para construir uma morada que fosse digna. E quando olha ao seu redor, esses arranha-céus feitos de pavor e pecado, sente inveja. Poderia construir um parecido? Seria capaz de manter seu próprio inferno? Indaga-se sempre sob a luz do luar. Os dias já não lhe são mais suportáveis. A intensidade do sol queima as suas vísceras. Só as sombras regeneram as marcas das cicatrizes. Que nunca ganhou da própria vida, mas que impõe a si mesmo num eterno martírio.
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