quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

pessoas importam?

Pessoas importam ou são meros detalhes na história? Pessoas importam no sentido banal de que, afinal, são elas que agem na história. A questão é a seguinte: até que ponto a história teria sido diferente tivesse aquela pessoa não existido?

Imaginemos alguém que é colocado numa prisão, sem comunicação externa com o mundo, nem mesmo com os guardas que o vigiam, e que ninguém com exceção daqueles que lá trabalham sabem da sua existência. E mesmo aqueles guardas, embora saibam que há alguém preso, não sabem quem é que está preso. E isso vai muito além de saber seu nome: não sabem seu rosto, sua história, suas idéias, seus desejos. A pessoa existe mas, com exceção de que ela ocupa um lugar no espaço e que parte da rotina dos guardas é direcionada a mantê-lo vivo, além de recursos com alimentos e acomodação, sua existência não altera em nada o mundo. A prisão não foi construida para abrigá-lo, os guardas teriam sido contratados de qualquer forma e o gasto em alimento é irrelevante quando dividido entre todos que pagam os impostos que mantém a prisão.
Parece que essa pessoa não faz diferença para como a história é feita. Mas por que não faz? Por conta das privações que sofre: ela é fisicamente privada, impossibilitada de se comunicar e isolada a ponto de não poder ser conhecida.

A limitação física impede que a pessoa aja quanto a uma série de assuntos. A falta de comunicação também impede que ela exerça alguma influência quanto ao que as outras pessoas pensam ou conhecem. E o isolamento a coloca numa posição que sua vida não provoque nenhuma comoção aos demais.

Pensamos na diferença que um Newton ou um Mozart fizeram, mas eles foram justamente colocados numa posição em que qualquer indivíduo talentoso poderia ter feito a diferença. Por que Newton é europeu e não africano? Podemos descartar a tese da superioridade genética, pois raças dominantes foram revertidas ao longo da história. E também podemos questionar que Newton apareceu num determinado momento da história do pensamento da física (se colocou no ombro de gigantes para ver adiante, como o mesmo disse), e que seus escritos não foram perseguidos e nem ele foi assassinado como poderia ter acontecido, por perseguição ou índices elevados de violência.

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