sábado, 4 de dezembro de 2010

Em defesa do simplismo

Ser simplista significa tentar explicar a realidade em termos menos do que suficientes do que aqueles necessários para alcançar uma explicação razoável. Ser simplista, parece, portanto, ser algo ruim. Mas, acredito eu, o simplismo é uma virtude.

E por que o simplismo é uma virtude? Simples (sem ironia): se partimos de uma teoria menos do que suficiente para explicar a realidade, somos forçados a preencher uma lacuna que é visível. Já uma teoria que é suficiente para explicar a realidade, não fica claro se isso ocorre por conta de uma coincidência ou de um motivo mais geral.

A objeção ao simplismo se dá por uma predileção pela complexidade. E por que isso? Novamente, a razão é simples: teorias complexas são de difícil entendimento e o mero esforço em entendê-las parece eliminar da conversa uma série de pessoas. Ou seja, a complexidade destaca a pessoa de todas as outras.

Além disso, a caracterização de uma teoria como simplista, sem apontar porque ela deve ser rejeitada, é meramente uma oposição estética e não intelectual.

O problema não é o simplismo, mas aderir a uma teoria simplista como se captasse a essência da realidade, ao invés de um mero chute que poderia ser alterado frente a novos dados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário