segunda-feira, 9 de agosto de 2010
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
poesia experimental número 1
barulhos da cidade
Pessoas riem vazio. Como se pudessem engolir um mundo no qual não cabem. Entusiastas de prazeres intempestivos, guiados por uma luz que quase os cega – como enxergar se não usarem seus óculos escuros? E no fundo não enxergam de verdade, apenas o mundo filtrado pelos seus preconceitos e receios particulares. E assim vagam, sem direção, de calçada a calçada, ziguezagueando sem nunca avançar, andando em círculos sem ao menos perceber, ocupando todo lugar por nunca parar em nenhum. Nada do que vivem é proveitoso. Tudo que criam é fruto do ócio – e o que é o ócio senão a falta do dever? Não este imposto pelos demais, sempre um fardo, mas aquele que se escolhe abraçar. Mas como abraçar algo que é maior do que você? Por isso riem, vazio, e se tornam vazias, ocas de vontade, entupidas pelo tédio, com a vontade irresistível de matar(o tempo) para suprimir o medo inconsolável de morrer.