segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Já olhei pra dentro de mim e vi um vazio. Não há nada lá, não há um ente escondido esperando ver a vida. Não há ninguém, não há sentimento, não há emoção, só incompeensão, dor e mágoa. Não uma dor com motivo, mas uma dor por não ver motivo em nada. Já não há lugar no qual eu queira estar. Até o suicídio é um ato de vontade no qual não me motivo. O que é meu não passa a ter valor por ser meu, enquanto não se justificar dentro de um quadro mais geral. A vontade individual sem ser mediada pela razão universal é mero capricho. Tudo passa e não me deixa marca. Às vezes sinto como se eu nunca tivesse vivido. E nas outras vezes é isso mesmo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

poesia experimental número 1

não, não quero saber as boas novas do dia
ainda não digeri as velhas verdades de outrora
de quando tudo era lucidez
e tanto me iludia
por pensar que
um momento
sabendo assim
das coisas que vi a
dos mares que nh m
do sol que me tinha
da carne que me prendia
e me sufocava
medeixavasemespaço













e o esforço que foi
trás pra tudo deixar pra
recomeçar de onde parei
de trazer tudo a tona
eu não queria mais tratar
das coisas que via por aí
=( da tristeza em todos os cantos =(
das esquinas que são encontro de ruas na solidão
das linhas paralelas que nunca se cortam
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e nunca se cruzam
não procriam
não fodem
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apenas sentem o cheiro
mais forte que o vômito
de quando a gente fala merda
e arrota arrogância

barulhos da cidade

Pessoas riem vazio. Como se pudessem engolir um mundo no qual não cabem. Entusiastas de prazeres intempestivos, guiados por uma luz que quase os cega – como enxergar se não usarem seus óculos escuros? E no fundo não enxergam de verdade, apenas o mundo filtrado pelos seus preconceitos e receios particulares. E assim vagam, sem direção, de calçada a calçada, ziguezagueando sem nunca avançar, andando em círculos sem ao menos perceber, ocupando todo lugar por nunca parar em nenhum. Nada do que vivem é proveitoso. Tudo que criam é fruto do ócio – e o que é o ócio senão a falta do dever? Não este imposto pelos demais, sempre um fardo, mas aquele que se escolhe abraçar. Mas como abraçar algo que é maior do que você? Por isso riem, vazio, e se tornam vazias, ocas de vontade, entupidas pelo tédio, com a vontade irresistível de matar(o tempo) para suprimir o medo inconsolável de morrer.