Este filme recebeu a péssima tradução 'Amor Sem Escalas', na tentativa de ser vendido como uma comédia romântica, quando de fato é, em sua essência, um filme anti-romântico. A idéia de um amor sem escalas nos passa a imagem de um amor que não conhece fronteiras. Quando na verdade o que não tem fronteiras é a solidão vivida pelo personagem de George Clooney, que passa a vida literalmente nas nuvens. Sempre se conectando de um ponto a outro sem nunca se conectar com ninguém, ajudando na dispensa de funcionários e mantendo uma atitude zen e serena em relação a formar qualquer laço afetivo com alguém. Há no personagem um certo tom de cinismo quanto ao que pode ser realizado na vida, até o momento no qual a solidão em que se encontra parece ter deixado que todos os seus laços se perdessem. Mas nunca é tarde para tentar reconstruí-los. Será? O trunfo do filme é não oferecer nenhuma redenção ao personagem principal. Ou seja, o seu distanciamento não é julgado como sendo negativo ou impróprio, embora em algum momento do filme haja uma auto-reflexão em relação ao destino que ele mesmo sentenciou em sua vida. Em suma, o filme não celebra a vida solitária, nem tampouco aponta como solução ir com a maré, mas mostra como as relações humanas, embora complicadas e difíceis, não devem ser por isso evitadas, mas sim construídas sem que a gente se perca nelas. Nossa realização pessoal deve depender, sempre, em parte, daquilo que podemos por nós mesmos construir, sem que isto implique excluir as pessoas da nossa vida.
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